Expo demais para Music de menos

fender

Minha relação com a ExpoMusic deve ter começado há uns dez anos, quando comecei a tocar guitarra. Talvez mais, talvez menos. Mas o fato é que eu sempre gostei de saber mais sobre os equipamentos e suas possibilidades, as novidades do mercado e tudo mais. Nesse ano decidi ir à feira, e diferente das outras edições, meu objetivo estava claro: encontrar a minha próxima guitarra.

Depois de me perder na ZN por alguns minutos, chegamos ao Expo Center Norte, deixamos o carro no estacionamento pela bagatela de Trinta Reais Em Barras de Ouro Que Valem Mais Que Dinheiro®  e partimos pra feira. Foi muito fácil de entrar, tinha uma fila exclusiva para quem tinha comprado o ingresso pelo aplicativo, que era só passar o CPF que eles liberavam a entrada.

Na entrada, ao dar de cara com o mega-estande da Pro Shows e da Fire Custom Shop, a impressão foi boa, fiquei animado. Achei que fosse me divertir muito, o que não aconteceu de fato, e é aqui que explico o título da postagem: em boa parte dos estandes, os representantes e promotores não estavam minimamente preocupados com os visitantes, e sim com os grandes compradores, lojistas e tudo mais. Não digo que eles estavam errados, e realmente não estavam, uma vez que foram destacados para trabalhar na feira e defender os interesses do fabricante que não faz vendas para o consumidor final. Fiquei apenas desapontado, não há como dizer que é culpa de alguém.

Eu gostaria de ter mais contato com alguns instrumentos da Benson e da Shelter, mas eles simplesmente pregaram as guitarras no suporte com lacres e não ofereceram a possibilidade de testá-las.

Por outro lado, as surpresas foram a Dolphin (no estante da Izzo) e Michael, ambas anunciando a reestilização da marca, ótimos instrumentos e aposto que o custo x benefício dessas guitarras é muito bom. Toquei num Dolphin Jazz Bass com uma proposta mais vintage, com ferradura e ashtray, e me pareceu um bom instrumento. Toquei num violão eletroacústico bem confortável, sonzão de violão mesmo, e numa guitarra estilo PRS também com boa pegada e um braço macio. Ficou devendo no som, mas isso já era esperado. Mexi numa pedaleirazinha Zoom assinatura do Kiko Loureiro que pareceu ser uma boa opção de multiefeitos pra quem está começando sem grana, mas quer fazer um barulho em casa, nada fora do foco da marca.

Nas surpresas negativas, eu esperava mais do Vox Tonelab ST, que não passa de uma Zoom 505 II com sotaque. Também não gostei das guitarras e do baixo, não faço ideia dos modelos (tampouco me importam), dos AmpPhone (headphone com sistema de amplificador embutido) que tem o som muito ruim e dos amPlug, que têm alguns anos mas não havia testado ainda. Pra uma marca com um posicionamento premium com a Vox (principalmente nos preços), esperava muito mais de todos esses equipamentos, que não passam de invenções chininhas com um selo forte. A Yamaha também pintou com um cabeçote estiloso, parecia um dock de iPod, mas o som é digno de risadas.

Na área dos instrumentos, a Seizi, marca nova do senhor Tagima, veio pra ser só mais instrumento de médio-custo e baixa qualidade. A Telecaster não tinha a única coisa que interessa numa telecaster, o som “twang” característico. Nesse caso, assumo que não deveria ter esperado muito desse pilantra.

Em geral, aproveitei o passeio, foi algo que me tirou da rotina por algumas horas, embora não tenha perspectivas de voltar no ano que vem. E sigo a busca pela nova guitarra.