Joe Bonamassa no HSBC Brasil, 8 de agosto

“Chamam-no de o futuro do Blues, mas estão errados – Joe Bonamassa é o presente; tão inovador que beira a definição de contemporâneo. Não há ninguém na cena atual que toque com tanta paixão, talento e refinamento”
– Classic Rock Magazine

Enquanto subia uma campanha teaser de um cliente, sem mais nem menos, recebi uma ligação da Guitar Player avisando que eu tinha ganhado os ingressos para o show do Joe Bonamassa. Dia seguinte, dia do show, as horas não passavam, saí tarde da agência com muito medo, mas as boas energias colaboraram para que tudo desse certo. Cheguei ao HSBC Brasil com tempo de sobra para pegar os ingressos de cortesia da revista (Sorte: você está na plateia VIP) e deu até para tomar uma cerveja (Revés: quente. Pague 7 reais)

Bem, o show. Foi pontualmente às 21h30 que Joe Bonamassa chegou ao palco com um violão. Tocou “Palm Trees, Helicopters and Gasoline” e já na segunda música teve a companhia do baterista Tal Bergman nas congas e do tecladista Derek Sherinian no piano de armário. Foram mais três músicas (e trocas de violão, com e sem capotraste) antes de encerrar o set acústico com “Woke Up Dreaming”.

Para começar com a guitarra elétrica, o roadie trouxe uma Gibson LP Standard com ponte Bigsby. A agilidade na troca de instrumentos me impressionou. A primeira música com a banda completa (Bergman na bateria, Sherinian nas teclas e Carmine Rojas no baixo – um Fodera) foi logo “Dust Bowl”, que não é exatamente uma paulada. Algumas músicas depois, trocou de guitarra para mais uma Gibson LP que não consegui reconhecer. Sem pickguard e com uma marcação estranha na escala, ela trazia um timbre muito mais agressivo que a anterior.

Pra mim, os destaques foram “Dislocated Boy”, com uma Music Man double neck (afinada em D e E), “Driving Towards the Daylight”, que considero uma das melhores músicas desse gênio, “Slow Train” que é incrível por si só e “Sloe Gin”, que não conhecia e a descobri no show. Por mim, faltou “Sick in Love”.

Não tive como não notar a sinergia da banda. Estavam sempre na cabeça dos tempos e dos chicotes para entrar e sair das músicas. Banda esta que também é incrível! São ótimos músicos e seria uma enorme injustiça destacar o trabalho de apenas um deles. Já o sr. Bonamassa dispensa maiores comentários, tanto sobre sua musicalidade e quanto vocalidade. Escrever que é um ótimo cantor e virtuoso guitarrista pode parecer pouco, mas seria redundância adicionar elogios à conta.

Ao final, o HSBC Brasil pareceu ser uma casa de shows excelente, Joe Bonamassa apenas confirmou tudo o que achava de sua música, eu parecia estar com sorte nos últimos dias e fiquei feliz demais com todos esses acontecimentos. Este definitivamente figura entre os melhores shows que assisti.

E seis cordas depois…

Música é vida interior, e quem tem vida interior jamais padecerá de solidão.

– Artur da Távola

Se existe uma coisa que não deixa o mundo parar de girar é a música. Passo o dia todo com os fones de ouvido escutando (apreciando) de tudo no Grooveshark e não consigo pensar numa forma melhor que essa para trabalhar. São quase seis horas por dia conectado com um mundo que criei para mim, dentro da minha própria cabeça, e lá tem tudo o que aprendi, vi, ouvi, toquei e li sobre música ao longo da minha vida.

Minha ligação com a música se dá principalmente pelo universo da guitarra. Boa parte de tudo que sei sobre música e instrumentos musicais deriva daí. Dezenas de Guitar Players compradas (fiz uma assinatura anual agora em julho, esse mês chega a primeira), muitas horas navegando por fóruns, blogs e sites sobre guitarra, além de muitas horas tocando e fuçando, é claro. Como sempre, esse sentimento tem que começar por algum lugar, então decidi “buscar as origens” e cheguei numa pequena lista de guitarristas e bandas que foram – e ainda são – muitos importantes pra minha formação enquanto péssimo músico e excelente escutador de música. Resumo: foram esses caras que me fizeram gostar de guitarra.

Hank Marvin
Hank é o líder da banda inglesa The Shadows, e segundo a Wikipédia, é o conjunto inglês mais influente antes da era Beatles. Não duvido que tenha influenciado mais de uma geração de instrumentistas. A música do vídeo, “Apache”, é uma das minhas favoritas. É simples e bela ao mesmo tempo, enquanto o timbre da strat fiesta red do Sr. Marvin não engana a ninguém.

Joe Satriani
Satriani é bem mais recente e começou a fazer sucesso no meio dos anos 80. Em geral, suas músicas são instrumentais e a guitarra com certeza é o centro das atenções. Gosto da forma que trabalha as melodias sem abusar das firulas e fritadas, resultando em temas bastante agradáveis e não muito enjoativos.

Steve Vai
O curioso é que Steve Vai foi aluno do Joe Satriani (assim como Alex Skolnick e Kirk Hammett) e ainda assim os dois trazem formas completamente diferentes de encarar o instrumento. Vai é um showman, daqueles de ficar fazendo caras e bocas enquanto gasta velocidade sem medo de ser feliz, e ainda usa alguns ventiladores pro cabelo voar nos shows.

Roy Orbison
Não é exatamente um guitarrista de referência, mas “Pretty Woman” é uma canção incrível e tem um dos riffs mais conhecidos de todos os tempos. São poucos os que conseguem emplacar a trilha sonora de uma produção de Hollywood que combine tanto com o filme e com a Julia Roberts.

Mark Knopfler
Guitarrista e vocalista do Dire Straits, um verdadeiro virtuoso no que se refere à arte de tocar e compor. Mesmo que “Brothers in Arms” seja um disco irretocável, a obra-prima fica com “Sultans of Swing”, que também é uma das músicas que considero entre as melhores de todos os tempos.

Podem não ser os melhores de todos os tempos, ou até mesmo de suas épocas, mas carrego comigo um pouco de cada uma dessas criações. Tomei cuidado na escolha dos vídeos e ainda fiz questão de colocar performances ao vivo pra ser mais próximo da essência de cada um deles.

No final, talvez não seja nem a música que faz a Terra continuar girando. Mais parece que somos nós que fazemos tudo isso acontecer. Somos nós que compomos ou que fazemos de muitos idiotas as pessoas mais famosas do momento. É a nossa paixão pelas sensações inexplicáveis que uma faixa de um CD antigo, um perfume que ficou no ar por um segundo ou uma palavra que nos faz lembrar aquilo podem nos causar. Sensações boas, sensações ruins, vontade de rir, chorar ou simplesmente tocar guitarra. O que seríamos nós sem a música?