Já passou por uma situação que te fez repensar?
Cerca de um mês atrás recebi um convite muito especial. Rosi foi minha professora de Inglês no ginásio, coisa de 15 anos atrás e, felizmente, nunca perdemos contato. Eis que Rosi me convida para a Feira de Profissões do colégio onde leciona para conversar com os alunos do ensino médio sobre a graduação e o mercado publicitário. O evento foi ótimo, os alunos também são incríveis e foi bastante recompensador saber que ajudei a tirar um pouco desse peso do ano de vestibular dessas crianças (sim, escolher uma carreira aos 17 anos é muito difícil).
Esse menino tinha três sonhos: fazer “filme pra TV”, comprar uma guitarra legal e uma câmera boa.
É aí que começa: vi o Dellzinho de 17 anos parado na minha frente. Magro, cabeça raspada, sem barba, uma expectativa gigantesca sobre a faculdade e tão pouco tempo para fazer tudo acontecer. Esse menino tinha três sonhos: fazer “filme pra TV”, comprar uma guitarra legal e uma câmera boa. Tinha princípios: não trabalhar de roupa social, não trabalhar em escritório e não trabalhar para políticos. Mas, mais importante que isso, me obriguei a pensar se o garoto que eu era na escola estaria satisfeito com o adulto que me tornei. O que eu tive que aprender, mudar e abandonar para chegar onde estou? Eu sou bem-sucedido? O que significava “sucesso” 10 anos atrás?
SPOILER: me tornei redator, comprei a guitarra (que chamo de Manteiga) e comprei a câmera (várias câmeras). Trabalhei de calça-sapato-camisa-gravata, trabalhei em escritório e trabalhei para político (e até pior, mas isso fica para depois).
Nós não somos nossa profissão, nosso cargo ou a empresa em que trabalhamos.
Tomar contato com quem eu era me fez pensar muito. Não que tenha chegado a qualquer conclusão, mas percebi que, de vez em quando, a gente esquece quem a gente é. Quando te perguntam “quem é você” e a resposta começa com nome, idade e profissão, você ganha a cartinha “Volte duas casas” do Jogo da Vida. Nós não somos nossa profissão, nosso cargo ou a empresa em que trabalhamos. Nós somos gente, e gente nasceu para ser feliz.
E aí, será que eu sou feliz?
