De ontem em diante

Em teu colo, sou menino.
Em teu leito, sou amante.
Em teu encontro, ofegante,
respiro reconfortado um instante
ao ter em teu seio o alívio da espera.

Porque, mesmo ao esquecer como era antes
ou como você me aconteceu,
sei que, de ontem em diante,
sou teu.

São Paulo, 24 de maio de 2020.

Um

O primeiro diálogo, sorriso.
O primeiro olhar, cerveja.
O primeiro beijo, encantamento.
O primeiro desejo, conexão.
O primeiro amanhecer, nirvana.
O primeiro filme, conforto.
O primeiro desentendimento, compreensão.
O primeiro fim de semana, bem-querer.
O primeiro compromisso, cumplicidade.
O primeiro aceno, confiança.

O primeiro vinho,
O primeiro sofá,
O primeiro café da manhã,
O primeiro buquê,
O primeiro domingo,
O primeiro ano,
O primeiro cachorro,
O primeiro Natal,
O primeiro porta-retratos,
O primeiro para sempre.

Dublin, 6 de setembro de 2017.

Existir é inútil

Qual será a expressão da derradeira morada?
De pinho ou jacarandá com a alça dourada?
Me sobrará um amigo para conduzir a vigília,
Dar ração ao cachorro e abraçar a família?

Qual será a expressão do breve existir?
Transformar o pesar em gozar e sorrir?
Me sobrará um amigo que escreva a história,
Imortalize o momento e eternize a glória?

Desencontra a razão, desconhece a instância,
Existir é um labirinto que não se sabe a distância.
Entre lágrimas e desconsolo, triunfo e inspiração,
Existir é inútil até me pregarem o caixão.

Dublin, 26 de julho de 2017.

Encanto Absoluto

Se teu riso é airosa morada
E teu brando afago, cobertor
Conceda-me, amiúde, o calor
Sutil e terno ardor
Inefável, inebriante amor
De vanglória comedida
Pureza desatada
És tua, apenas, deveras estimada
Etérea existência, imaculada
Em perfeitas formas esculpida
És tu, precisa, admirada
Encanto absoluto, minha namorada.

Dublin, 25 de julho de 2017

Quando

Quando te ouço,
Te olho.
Te sinto,
Te toco.
Te envolvo,
Te apoio.
Te idealizo,
Te adoro.
Te realizo,
Te devoro.
Te aprecio,
Te namoro.
O mundo para você sou eu,
O mundo para mim é você.

Dublin, 27 de junho de 2017