
Pense num clube que, há menos de dez anos, amargava a série D do Campeonato Brasileiro. Pense numa torcida que nunca vibrou um título em âmbito nacional. Série D, série C ou série B. Nada. Pense numa cidade mais próxima da fronteira do que de sua própria capital.
Um time tido como pequeno que nunca teve vergonha. E mais. Muito mais. Se agigantou diante de todo adversário e qualquer situação adversa. Na provinciana Chapecó, seus pouco mais de 200 mil habitantes tornaram-se apenas um sentimento pintado de verde e de graça para ostentar o amor por uma equipe que, no seu quintal, conquistou a América do Sul.
Mas, na manhã desse 29 de novembro, a preocupação com boleto e o amor alviverde do último domingo transformaram-se numa sensação em tons cinzentos. Um sentimento semelhante ao de segurar areia fina e deixá-la vazar por entre os dedos. Impotência, consternação, sentir-se do mesmo tamanho que o próprio grão de areia que nos fugiu. Uma situação que não faz sentido, subverte a lógica da vida e a alegria proporcionada por um esporte que, me perdoem os castos ou pseudocultos pela discordância, é muito mais que um esporte. Um dia insuportavelmente triste para qualquer apaixonado por futebol. Para qualquer pessoa que, mesmo sem entender a grandeza da Chapecoense de 2016, conhece o pesar causado pela perda.
Pisar num campo com arrojo, tanta nobreza e tamanha grandeza ao chutar uma bola com a determinação de um clube nunca campeão. Isso jamais será tirado destes que são eternizados sob o escudo da Associação Chapecoense de Futebol.